Era tão bom...
Quando o nada me satisfazia fugaz
E teus olhos eram corriqueiros e banais
Quando um dia se seguia ao outro sem nada demais
A distância consistia no desejo e razão sendo rivais
Foi tão bom
Quando eu distorcia a verdade sem culpa
Recorrendo ao teu descaso velado
Seus beijos, então, me cegavam e selavam o agregado
Em que agora tenho afundado
É tão bom...
Quando você me acolhe em teu abraço
E sinto sua respiração no mais sutil tom
Meu rosto se molda na sua nuca, disfarço
Teu limite é a linha que eu amargo
Seria tão bom...
Se Picasso nos tivesse desenhando lado a lado
E qualquer momento aleatório fosse assim eternizado
Já que o tempo corre desvairado, esquecendo o inacabado
Restando este amontoado de desejos privados
Será tão bom...
Quando eu não for mais essa boba
Escrevendo rimas loucas
Focada em sua teia fosca
Sendo zombada por essa vida tosca
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