quinta-feira, 8 de julho de 2010

sem título

Era tão bom...

Quando o nada me satisfazia fugaz

E teus olhos eram corriqueiros e banais

Quando um dia se seguia ao outro sem nada demais

A distância consistia no desejo e razão sendo rivais

Foi tão bom

Quando eu distorcia a verdade sem culpa

Recorrendo ao teu descaso velado

Seus beijos, então, me cegavam e selavam o agregado

Em que agora tenho afundado

É tão bom...

Quando você me acolhe em teu abraço

E sinto sua respiração no mais sutil tom

Meu rosto se molda na sua nuca, disfarço

Teu limite é a linha que eu amargo

Seria tão bom...

Se Picasso nos tivesse desenhando lado a lado

E qualquer momento aleatório fosse assim eternizado

Já que o tempo corre desvairado, esquecendo o inacabado

Restando este amontoado de desejos privados

Será tão bom...

Quando eu não for mais essa boba

Escrevendo rimas loucas

Focada em sua teia fosca

Sendo zombada por essa vida tosca

O que é bom sem o teu passado junto ao meu presente acompanhando qualquer lembrança de um futuro deserto?

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